segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Persépolis, Pasárgada e um bela surpresa, Naqsh-e-Rostam


Neste domingo fomos visitar Pasárgada e Persépolis, sonho antigo nosso e que estão dentre os patrimônios arqueológicos mais importantes do mundo.

Fomos de taxi, providenciado pelo nosso hotel (1.500.000 rials), numa viagem prevista de 7 horas, incluindo ida e volta. Taxista muito simpático, que parou num ponto da estrada para comprar 2 romãs. Bom, algumas das romãs daqui do Irã são enormes, muito maiores do que as que tinha visto no Brasil. Talvez para fazer um exercício de imaginação sobre o tamanho de algumas romãs daqui seja melhor começarmos com uma jaca, e depois irmos diminuindo até chegarmos no tamanho de uma laranja de umbigo gigante. Eis a foto de uma das romãs compradas pelo nosso motorista, Zé das Romãs.



Eu não vou gastar muito tempo e texto descrevendo Pasárgada e Persépolis, porque melhor postar muitas fotos. Mas preciso falar de uma grata e fantástica surpresa, que se chama Naqsh-e-Rostam. Fica no caminho entre os 2 sítios arqueológicos, bem próximo a Persépolis, e é simplesmente impressionante. São tumbas cravadas na rocha, de imensas dimensões e com diversos desenhos em alto relevo, escavados na rocha. De tudo o que vi até aqui no Irã este sítio arqueológico foi o que mais me impressionou.

Naqsh-e-Rostam















Persépolis

















Pasárgada




O sítio de Pasárgada é amplo, mas com poucos elementos restantes, de forma que se um dia você vir a Shiraz e estiver com tempo apertado, não sofra nem pense muito. Vá apenas para Persépolis e Naqsh-e-Rostam que não cometerá nenhum pecado intelectual. O que mais me impressionou na visita à Pasárgada foi a paisagem, especialmente ver as plantações de milho e de arroz, no meio de uma terra extremamente árida. Na foto abaixo dá para passar uma ideia do que estou falando.




domingo, 12 de outubro de 2014

Restaurantes Brentin e Haft Khan – Shiraz


Graças aos conselhos de uma das recepcionistas do nosso hotel em Shiraz (Hotel Homa), abandonamos a ideia de seguir as sugestões dos guias de turismo, Lonely Planet principalmente, e nos sugeriu 3 opções de restaurantes que apresentam a culinária persa de uma forma que une tradição com contemporaneidade.

No sábado fomos almoçar no Brentin Restaurant, que fica num bairro elegante de Shiraz e que tem um ambiente com 2 andares, bem elegante para os padrões dos restaurantes que estávamos acostumados no Irã. O curioso e inesperado, para os padrões do restaurante, é que ninguém, absolutamente nenhum dos garçons falava inglês, nem sequer uma palavra. Acho que nem “Hallo” o pessoal conseguia falar. Contudo, o dono do restaurante, sujeito descolado, veio nos atender e ele falava um excelente inglês. Pelo visto fomos os primeiros turistas a ir ao restaurante e já provocamos uma reflexão sobre uma revisão no planejamento estratégico da casa.

O meu prato foi uma repetição daquele que comi no bairro armeno, em Esfahan, só que apresentado de uma forma diferente. Achei mais saboroso do que o comi em Esfahan. Fernandinho pediu um arroz com camarão, levemente apimentado. A comida estava legal, mas o melhor do restaurante ficou com as entradas e com a sobremesa. Na entrada eles trazem à mesa uma enorme bandeja com diversas pequenas porções e você escolhe as que quiser. Eu escolhi uma de berinjela, mas o dono insistiu e acabou nos oferecendo uma com rolinhos de abobrinha e um creme de yogurte. Rapaz, eita negócio bom danado! Realmente, o dono sempre tem razão.

Ah, o drink foi: Lemon mint (suco de limão com hortelã, com bastante gelo)

Agora, o melhor de tudo foi na sobremesa, também um presente do dono do restaurante. A princípio era um pratinho de barro com uma coisa dentro, parecida com um biscoito, mas com camadas diferentes. Cara, eita negócio interessante. Eu não disse “gostoso” porque o diferente é o que vem à mente primeiro, mas adorei a sobremesa. Comecei comendo como um completo ignorante, até porque o dono já tinha ido embora e a gente não conseguia sequer entender o nome da peste da sobremesa, avaliem conseguir saber os ingredientes. Quando você bota na boca, a primeira sensação é de estar comendo pó, mas um pó gostoso (tem a ver com tâmara). Vamos lá gente, sei que a maioria nunca comeu pó, incluindo eu mesmo, mas todo mundo tem uma opinião formada sobre gosto de pó. É como disco voador pousando. Nunca ninguém viu mas muitos tem a cena em mente, incluindo o barulhinho do motor do disco pousando. Aquilo vai depois sendo saborosamente substituído pelas outras 2 camadas, sendo que na de baixo é feita com nozes. Incrível!! Depois descobrimos que se chama Ranginak e é uma sobremesa adorada pelos iranianos, e agora por Saulo também. Uma moça do hotel ficou de pedir a receita à mãe e Da Dilma se prepare que agora vou querer Ranginak às quartas e sextas, toda semana.

Uma experiência curiosa e enriquecedora foi pegar um taxi de volta ao hotel, depois do almoço. Pegamos o taxi de um velhinho bem simpático, mas pense num taxi velho. Parecia aquele antigo Corcel I (quem lembra do Corcel I), só que todo arrombado. Juro que ficamos impressionados daquilo andar e mais ainda quando ultrapassamos 2 carros. O aspecto enriquecedor da experiência é que o carro do velhinho tinha, no mínimo, 30% de peças faltando, e ANDAVA!!! Ou seja, somos mesmo uma sociedade do supérfulo.

Ontem, domingo, fomos a um complexo todo modernoso de restaurantes, chamado Haft Khan, também sugerido pela moça da recepção do hotel. São 5 andares, numa torre moderna, toda chique, sendo que cada andar abriga um restaurante diferente (tradicional, fast food, internacional, buffet, grelhados). Nós fomos ao andar 2, de restaurante de comida internacional. Quando se fala aqui em comida internacional, eles não economizam. Tinha de quase tudo, pizza, massa, carnes, aves, kebab, e por aí vai. Eu não explorei completamente o menu, mas acho que vi de relance que eles tinham acarajé. Eu pedi um kebab, porque dizia “chef's special kebab”. Não me arrependi e comi o melhor kebab desta viagem (já experimentei uns 4 diferentes). Ele misturava 3 tipos de carne (carneiro, boi e galinha), mas de uma forma quase imperceptível e com um molho muito gostoso.

Quem vier a Shiraz, pode ir nos dois restaurantes que terá ótimas experiências.


sábado, 11 de outubro de 2014

Masjid-i Jami


E então fomos à Masjid-i Jami (pronúncia aproximada Djomê). Fomos andando a partir do hotel, uma caminhada de uns quinze minutos. 

Na entrada, fomos recebidos por um funcionário que, perguntando de onde éramos, ficou esfuziante ao saber que do Brasil. Ele disse que existe uma cidade no Irã, que se chama Abadan, na região do Khuzistão, cuja população se considera irmã do Brasil. Disse que se formos lá e dissermos que somos do Brasil vamos receber as chaves da cidade. Ou seja, teremos que voltar ao Irã, nem que seja para uma passagem por Abadan.

Logo após o pequeno corredor da entrada, dobramos à esquerda e adentramos um espaço simplesmente maravilhoso, um pouco escuro, com pilares, cheio de arcos e abóbadas, tudo de tijolos sem revestimento nenhum. Uma espécie de enorme galeria de espaços comunicantes com os pilares, os arcos e as abóbadas delimitando esses espaços. Em cada um deles, você pode parar no centro e olhar para cima para ver as cúpulas. À medida que vai-se andando, vão-se abrindo novos espaços. É escuro, mas há luz, que causa um efeito impressionante no espaço e nos tijolos. Impressiona! Daí chega-se ao domo sul, de cerca de 17 metros, magnífico!!!!! Alcançando-se o grande átrio, vê-se logo o domo norte. Andando em sentido horário, chega-se ao mihrab no lado oeste: outra visão impactante. Daí, há uma passagem para a mesquita de inverno (Safávida): este espaço é baixo e bem mais escuro do que o da entrada, com o chão coberto de tapetes, onde é preciso andar descalço. Percorrer este espaço escuro e silencioso causa uma sensação de grande tranquilidade;mas, de novo, há luz, apenas o suficiente (a luz entra por pequenas aberturas nas abóbadas) para enxergarmos por onde andar. Havia uma mulher sentada bem debaixo duma daquelas pequenas aberturas, escrevendo. O quê, não sabemos. Às vezes, parece que rezava.





Voltando ao átrio, plenamente iluminado pelo Sol, completamos o percurso pela área da mesquita.
Não dá para descrever totalmente a experiência vivida nesse lugar. Mas fica guardada, na memória, o contraste do escuro dos espaços delimitados pelos tijolos nus dos pilares, arcos e abóbadas com o da luminosidade solar dos espaços abertos. Vez ou outra, entra mais ou menos luz nos primeiros.

(FC)

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Tahchin Barreh e igreja católica em Esfahan


No segundo dia em Esfahan, depois de visitarmos Masjid-i Jami (pronuncia-se DJOMÊ, leia a respeito numa outra postagem), fomos conhecer uma catedral cristã, no setor armênio da cidade. Esta catedral, chamada Vank, inclui uma igreja (São José de Arimatéia), um museu e outros edifícios menores. Surpreendente encontrar uma igreja tão ornamentada com representações bíblicas e santos, em contraste com o modelo de ornamentação das mesquitas, onde não encontramos representação de figuras, à exceção de afrescos, em alguns poucos lugares.



Vale a pena visitar a catedral Vank! E também o museu, onde há inúmeros exemplares de livros cristãos armênios, livros de orações muito antigos (século catorze, por exemplo). E dois Phylactery, rolos de orações para serem usados no braço enquanto se reza (interessante!).

Antes da visita fomos almoçar num outro restaurante recomendado pelos guias, que fica dentro do hotel Julfa, na Hakim Nezami Av. O restaurante se chama Khan Gostar Restaurant e fomos muito bem atendidos por um indiano, com aparência mais iraniana do que indiana, que falava um inglês perfeito.

Ele me recomendou um prato chamado Tahchin Barreh, que é uma coxa de carneiro cozida no vapor, acompanhada por arroz com romã (excelente combinação) e por dois bolos de arroz. É como se fosse uma torta de arroz, com açafrão, que tem um lado levemente queimado (durinho), na parte que deve ter sido exposta ao cozimento. E eu, FC, comi salmão grelhado com legumes;e um pedaço do bolo de arroz do amigo.

Bem gostoso o prato, mas minha escolha da culinária de Esfahan é o Beryani, que comi no restaurante que fica ao lado da praça Maydan Iman.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Zayande ruu - morte de um belo rio


Chegando em Isfahan depois da aventura do trem noturno, pegamos um taxi até nosso hotel (Bekhradi's Historical Residence). Do taxi, o motorista apontou-nos o rio Zayandeh (Zayande ruu) duas vezes completando com “no water”. Fiquei intrigado com o fato do rio estar seco mas pensei nos rios que secam temporariamente e imaginei que o Zayandeh ruu fosse um destes. Dormimos bem e recuperamos nossa disposição. Procurei informações (internet) sobre a seca do rio e descobri que trata-se de uma catástrofe ecológica.




O rio Zayandeh tem cerca de 400km de extensão e é (era) o maior rio da parte central do Irã. As causas de sua seca parecem ser o uso inadequado e desmedido na agricultura e a poluição, além de má administração de suas águas. Lembrei-me de imediato de matéria publicada em jornal há cerca de um mês sobre a seca da nascente do nosso rio São Francisco, O Velho Chico...

Na Odisseia, no Canto 6, há um verso maravilhoso, mais ou menos assim:
“Com lágrimas nos olhos, ele contempla o mar inaudito”. A maravilha deste verso está em unir dois elementos líquidos, lágrimas e água do mar.

Aqui, vendo a seca do rio Zayandeh (O Provedor da Vida”), meus olhos ligam-se à memória do São Francisco também seco. Sem lágrimas, sem água nos dois rios.

A devastação do planeta está em curso em escala mundial.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Restaurante Banquet Hall Traditional


Neste segundo dia em Esfahan, depois de visitarmos a mesquita Shah (Imam Khomeini), fomos almoçar num restaurante bastante recomendado, chamado Banquet Hall Traditional, que fica junto à praça Naqsh-e Jahan Square.

O restaurante é realmente muito legal, onde as mesas são tabuleiros onde as pessoas se sentam (4-6 pessoas por tabuleiro) num tapete e este tabuleiro fica levemente elevado em relação ao chão.



O pessoal fala um inglês razoável e depois que você pede sua comida vem um rapaz com um plástico grande para forrar a parte do tapete onde você vai comer, para evitar que suje o tapete.

Adorei minha opção, chamada de Esfahan Special Biryani. O prato é um envelope de pão (o daqui lembra uma massa fina de pizza), amanteigado, com carne moída num formato de hamburger, só que bem largo e fino, e folhas de manjericão. Por favor não tem nada de pizza calzone nem de hamburger. A carne é bem saborosa, se desfaz na boca, e a combinação com o pão e manjericão é perfeita.

Aliás, estou impressionado com a quantidade de manjericão que eles usam aqui, seja na salada, seja em pratos da culinária iraniana. No meu prato, por exemplo, vinha muito manjericão. Eu realmente não fazia ideia de que esta culinária tivesse tanta proximidade com o manjericão até Fernandinho me repreender severamente, chamando a atenção de que é óbvio que o manjericão é originário desta região, e que só depois ganhou o mundo, a partir da culinária italiana.

Basta uma análise simples da geografia da região, para perceber isso: Azerbaijão, Turcomenistão, Paquistão, Afeganistão, Uzbequistão, Manjericão.

Depois fomos tomar um café espresso numa pequeno cafeteria que ficava no caminho entre a praça e o restaurante, que nos pareceu atraente. Realmente um café (Lavazza) e serviço muito bom. O dono bastante comunicativo, falava inglês e um pouco de italiano, adora o Brasil. Ficamos do lado de fora da minúscula cafeteria, na única mesa do lugar, conversando com uma família de iranianos de Esfahan, que mora em Miami, nos Estados Unidos.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Galinha ao Molho Pardo


Na primeira em Esfahan (ou Isfahan) fomos jantar num restaurante bastante recomendado pelos guias turísticos e blogs. O restaurante se chama Shahrazad, nome persa da rainha Scherazade, dos contos das Mil e Uma Noites, e fica na Abbas Abad St.

O restaurante é bem grande, estava cheio de turistas, e os garçons conseguem atender em inglês, mas não espere nenhuma detalhada descrição dos pratos, porque o inglês deles é bem limitado.

Eu pedi um Kebab, especialidade da casa, chamado Chelo Kabab, que custava 230.000 Rials (pouco mais de 7 dólares), que estava muito bom, servido com tomates grelhados, pão e arroz. Quando falo muito bom é porque ainda não fui apresentado a nenhum prato da culinário iraniana que me fizesse suspirar. Não que isso esteja me fazendo falta, porque se fosse para tirar férias gastronômicas teria ido para França ou Itália.

Fernandinho pediu galinha, mais especificamente um prato chamado Tahcheen, 125.000 Rials (4 dólares), que para minha surpresa era uma versão persa de nossa maravilhosa galinha ao molho pardo, só que aqui com um gosto levemente adocicado. Como Fernandinho não gosta de galinha ao molho pardo eu disse que não tinha nada a ver, que o que ele estava comendo era outra coisa, e melhor guardar segredo eterno sobre isso.

A conta total deu 805.000, algo em torno de 25 dólares, incluindo 2 entradas, 1 sobremesa e 2 cafés.

Um capítulo especial vai para a decoração. Muitos já devem imaginar o excesso na decoração, algo comum neste canto do mundo. Inúmeros detalhes, entalhes, espelhos, mosaicos, luzes. Me senti como se estivesse num carro alegórico, entrando na avenida, num desfile da Unidos do Reino Persa. Claro que o enredo do ano era Galinha ao Molho Pardo.

Foi
Lá o meio da Pérsia
Que tudo começou
.
.
.
.
e ali babou, Ali Babá
Quando experimentou
O tempero da galinha ao molho pardo
e ali babou, Ali Babá
.
.
.”



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Trem noturno e chegada em Esfahan


Chegamos na estação de trem de Teerã animados com a viagem de trem para Esfahan, prevista para durar 7 horas, com saída às 22:45 e chegada às 05:45. Compramos ticket na classe VIP e estávamos ansiosos para descansar na viagem de trem.

Bom, talvez VIP para os serviços iranianos de trem significa Very Insignificant Person porque o vagão era muito ruim. No estilo tradicional de 6 cochettes, ficamos com mais 2 pessoas na nossa cabine, uma senhora e um rapaz, aparentemente filho dela.

Pior do que o trem só a viagem!!

Uma comparação adequada para nossa sensação seria de uma panqueca, sendo jogada para lá e para cá na panela, porque o trem chacoalhava pra caramba. Não me lembro de ter feito uma viagem balançando tanto quanto esta, mas o aspecto positivo da panqueca é que pelo menos na hora de virar de lado eu mesmo cuidei disso, sem precisar de um solavanco do trem, que nos jogasse para cima, único distúrbio ausente desta aventura. E os barulhos? Janela chiando, bandeja de comida que caía, porta batendo. Também foram inúmeras as paradas. E, cada vez que o trem voltava a andar, começava tudo de novo. E o nosso sono foi pro espaço!!!

Bom, mas ao chegarmos no hotel, todo o transtorno da noite no trem foi recompensado pela quietude do lugar ( Bekhradi's Historical House), apesar de termos chegado muito cedo e termos que esperar, pois o nosso quarto só seria liberado ao meio-dia. De novo, outra gentileza desse povo: aceitaram nossa presença fora de hora e é como se já estivéssemos hospedados, pois teremos o breakfast.Pela foto abaixo vocês podem ver o quão charmoso é o nosso hotel.


Pena que teremos que mudar amanhã, porque só conseguimos reserva para uma noite. É que entre 8 e 12 de outubro vai ocorrer um festival e congresso internacional sobre patrimônio intangível e a cidade está lotada. Se não conseguirmos nada, só no resta a praça Naghsh-e Jahan, uma das mais bonitas e maiores do mundo.

(SB e FC)

Restaurante e Machado de Assis


Hoje fomos visitar o Museu de Cerâmica e Vidro, mas infelizmente estava fechado. Na segunda-feira muitos museus fecham e como ontem foi feriado nacional, acabamos visitando menos museus do que gostaríamos.

Bem perto do Museu de Cerâmica e Vidro, fomos almoçar num restaurante charmosinho, chamado Gol-e Rezaiyeh, que fica na rua Tir, número 30. Lugar muito simpático, cheio de fotografias de astros do rock e do cinema. 



No som ambiente, inicialmente jazz. Depois eles partiram para Queen, mas o disco devia estar riscado ou a agulha suja, porque ficou um tempão pulando, sem ninguém tomar atitude. Depois veio “As time goes by”, em duas versões, ambas cantadas por intérpretes caribenhos, aparentemente cubanos. Perto do fim, veio Sting cantando em espanhol aquela música que o imortalizou no Brasil como um chato. Para quem não se lembra, segue trecho da música em português, obedecendo o sotaque do Sting.

“E amanhan
A tchuva levaurá
O tsangue que a lutcha
Deitshow derruamar
Que fruadgilidad, que fruadgilidad"

A decoração do lugar era também legal, mas a comida não era nada de especial. Comi um prato de origem russa, segundo o garçom, que na verdade era uma espécie de almôndega com salada e batata. Vale apenas pelo charme, mas nem de longe uma experiência gastronômica digna de nota.

Saímos a pé em direção ao Museu de Arte Contemporânea na Kargar st e no caminho encontramos uma livraria com fisionomia simpática. Entramos e Fernandinho foi perguntar se eles tinham a edição recém traduzida para a língua persa do livro Quincas Borba, do Machado de Assis. Bom, quando Fernandinho tomou esta decisão, de tentar comprar Machado de Assis em Teerã, eu pensei “tamo fudido. Ele vai gastar meia hora somente para o cara entender o nome do escritor”.

Incrivelmente, assim que Fernandinho mencionou o nome do autor, o cara da loja disse que eles tinham 2 livros do Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, mas que infelizmente Quincas Borba ainda não, provavelmente porque o livro foi lançado mas não chegou às livrarias. Eu quase cai de costas!! Me lembrei na hora de uma vez que fui na livraria Escariz, em Aracaju, e pedi Julio Verne e o vendedor perguntou se era música clássica.

O duro foi achar resposta para a pergunta do vendedor, que queria saber quais autores da literatura iraniana os brasileiros mais gostavam.
 
Ah, chegamos tarde no Museu de Arte Contemporânea. Já estava fechando. Aí ficamos sentados no parque ao lado do museu.



(SB e FC)

Trânsito em Teerã


Antes de falar do trânsito de Teerã, acho importante revermos o conceito da palavra “preferencial”.

Vou tomar um exemplo para ilustrar esta importância. Você vem num taxi velho, numa ruazinha pequena, numa velocidade acima do recomendável. Aí você vê adiante uma avenida larga, com 4 faixas, carros em alta velocidade. No Brasil a gente costuma parar pouco antes da faixa de pedestre (quando tem uma) e avançar com cuidado, posicionando a frente do veículo na linha imaginária que ligaria as 2 calçadas à frente, para olhar com cuidado e só depois entrar ou atravessar a avenida.

Em Teerã não funciona assim. O taxi enfia metade do carro na avenida e o seu coração vai ainda um pouco além, porque você tem certeza de que um caminhão ou ônibus vai pegar você no meio. Aí há algum tipo de sinalização telepática entre os diversos motoristas, que decidem ali mesmo, no meio da confusão, quem avança e quem espera. Não há lógica, mas funciona para eles.

Outra curiosidade é atravessar a rua ou avenida. Você até encontra faixas de pedestres, mas elas de pouco adiantam e são pouco usadas. O comum aqui são as pessoas irem atravessando no meio da avenida, passando no meio dos carros, que também obedecem a algum código secreto e invisível de comunicação porque não vimos ninguém ser atropelado, apesar das inúmeras razões.

Fernandinho mencionou uma ótima metáfora para descrever esta experiência de atravessar uma avenida em Teerã. É como se fosse num boliche, sendo que você é o pino e os carros são as bolas. Ou seja, se tudo der certo, você será atropelado.

domingo, 5 de outubro de 2014

Terceiro dia - concerto de música folclórica


Noite muito especial a de hoje. Com a ajuda do nosso amigo do hotel, o mesmo que conseguiu achar o lugar para vermos a apresentação do Zurkhaneh e também indicou a incrível loja de Cds, conseguimos ingressos para irmos assistir a uma apresentação de um grupo que toca música folclórica iraniana, chamada Rastak Music Group.


O local do concerto foi num complexo que abriga um centro de convenções e a torre Milad, que é a torre mais alta do Irã. Lugar bem moderno e lotado de gente, porque hoje é feriado nacional, religioso.







O concerto foi simplesmente maravilhoso. Achei no youtube um link para acessar uma apresentação do grupo Rastak (16 membros, sendo 11 homens e 5 mulheres), mas o que tornou a noite especial foi a energia da interação do público com a banda. Quando falo em público estou me referindo às mulheres, que batiam palmas, cantavam e gritavam o tempo todo, porque o homem mais animado que vi no máximo batia palmas num compasso de noite de velório.


Ao meu lado esquerdo sentou-se uma senhora de uns 65-70 anos de idade e ao meu lado direito uma menina de uns 14-15 anos. Não dava para dizer bem qual das duas era a mais animada. A senhora batia palmas, cantava e assobiava, daquele jeito usando 2 dedos de cada mão, que até agora meu ouvido esquerdo não voltou ao normal. Já a menina, cantava todas as músicas, gritava o tempo todo e dançava na cadeira, que contaminava. Ela até me perguntou se os gritos estavam me incomodando (vejam só o nível da gentileza desse povo), mas eu disse que daria qualquer coisa para ela não parar, porque estava lindo. Quando falo de grito, por favor não confundam com aqueles gritos histéricos de fãs de Luan Santana ou Michel Teló. Estou me referindo a gritos que fazem parte do folclore de alguns povos, em especial vocalizados pelas mulheres.

Chegamos no hotel por volta da meia-noite. Se este concerto tivesse sido no SESC Pinheiros teria sido inesquecível, mas em Teerã foi mágico.

(SB)



O concerto de música folclórica com o grupo RESTAK foi muito bom! Música animada, festiva, figurinos coloridos. Grupo iraniano, com cores do Azerbajão(?).  As roupas das mulheres (instrumentistas) tenho segurança em dizer que são do Azerbajão...
Público animadíssimo!!!!!!!!!!!! Os músicos também eram muito animados, e inflamavam a platéia.
A percussão e os sopros foram os maiores destaques. Mas o conjunto todo tem excelência musical.
Teatro cheio, acho que lotado (3000 pessoas).

Uma experiência que com certeza ficará guardada com carinho e, acima de tudo, alegria musical.

(FC)

Segundo dia - Museu Nacional do Irã e ou TAAROF


Bom, depois do tempo bem aproveitado na loja de CDs e da casquinha de música iraniana proporcionada pelo nosso amigo, fomos ao...Museu Nacional do Irã, o principal museu de arqueologia do país. A entrada é uma meia abóbada de tijolos, que dá a impressão de uma caverna.




O arquiteto foi um tal de Godard, mas não é o cineasta, não. André Godard (francês)foi um arqueólogo e arquiteto que formou a primeira escola de arquitetura em Teerã. E, passando pela abóbada de tijolos, começamos a visita. Tudo muito interessante, mas vários rótulos dos objetos expostos não informam a data. Mesmo assim, sabemos tratar-se de peças do sexto, quinto séculos antes de Cristo. Tem de objetos muito pequenos (uma agulha, estatuetas de animais, vasinhos, potinhos, etc.) a coisas grandes, como a parte inferior da famosa estátua de Darius (somente metade e mesmo assim GRANDE), suntuosa e carregando os emblemas dos 24 povos que faziam parte do Império Aquemênida.

E foi aí que vi...e foi aí que vi algo que queria ver desde os tempos do colégio: em granito, a fachada com a representação da coroação de Xerxes I com Darius, seu pai, sentado em trono real.  Maravilha!!! As figuras estão todas de lado, como se fora uma fila. Conhecemos mais esta disposição de figuras na arte egípcia. Fiquei uns dez minutos vendo a cerimônia de coroação de Xerxes e a estátua de Darius. Depois ainda vimos exemplos de escrita cuneiforme, mais vasos, leões, adagas, etc. Foi quando, às 16:50h, um funcionário veio até nós e foi logo avisando: “Time End”, “Time End”, querendo dizer, claro, que o expediente estava encerrado.

Saímos do local, fumei um cigarro e comentei com Saulo sobre o antigo desejo realizado. Andando pela rua lateral do museu, esta com calçadas largas(Rua Tir), fomos à procura do restaurante Gol-e Rezaiyeh (endereço:30 Tir St.) conforme indicação no blog de Carolina Dutra. Infelizmente, estavam fechando o restaurante, que ficaria fechado no dia seguinte por causa do feriado religioso.



Voltamos então em direção ao museu para pegar um taxi de volta para o hotel. Pegamos um taxi bem rodado e amassado, com um senhor de idade bastante simpático. Acertou o preço de 200.000 rials e concordamos. Mas eis que, ao chegarmos ao nosso destino, aconteceu o TAAROF.

Taarof “é a aceitação implícita da mentira”(como diz Samy Adghirni no livro OS IRANIANOS). O que aconteceu foi que, quando fomos pagar o taxi, o senhor motorista simpático disse que não era preciso pagar!!!! Como eu já tinha lido sobre esse comportamento ou jogo de etiqueta, insisti para que ele recebesse o pagamento. Foi embora contente e nós também, agradecendo mersee, merssee...

Bastou chegarmos à recepção do hotel para sabermos duma apresentação de ZURKHANEH dentro de uma hora e quinze!

(FC)