sábado, 11 de outubro de 2014

Masjid-i Jami


E então fomos à Masjid-i Jami (pronúncia aproximada Djomê). Fomos andando a partir do hotel, uma caminhada de uns quinze minutos. 

Na entrada, fomos recebidos por um funcionário que, perguntando de onde éramos, ficou esfuziante ao saber que do Brasil. Ele disse que existe uma cidade no Irã, que se chama Abadan, na região do Khuzistão, cuja população se considera irmã do Brasil. Disse que se formos lá e dissermos que somos do Brasil vamos receber as chaves da cidade. Ou seja, teremos que voltar ao Irã, nem que seja para uma passagem por Abadan.

Logo após o pequeno corredor da entrada, dobramos à esquerda e adentramos um espaço simplesmente maravilhoso, um pouco escuro, com pilares, cheio de arcos e abóbadas, tudo de tijolos sem revestimento nenhum. Uma espécie de enorme galeria de espaços comunicantes com os pilares, os arcos e as abóbadas delimitando esses espaços. Em cada um deles, você pode parar no centro e olhar para cima para ver as cúpulas. À medida que vai-se andando, vão-se abrindo novos espaços. É escuro, mas há luz, que causa um efeito impressionante no espaço e nos tijolos. Impressiona! Daí chega-se ao domo sul, de cerca de 17 metros, magnífico!!!!! Alcançando-se o grande átrio, vê-se logo o domo norte. Andando em sentido horário, chega-se ao mihrab no lado oeste: outra visão impactante. Daí, há uma passagem para a mesquita de inverno (Safávida): este espaço é baixo e bem mais escuro do que o da entrada, com o chão coberto de tapetes, onde é preciso andar descalço. Percorrer este espaço escuro e silencioso causa uma sensação de grande tranquilidade;mas, de novo, há luz, apenas o suficiente (a luz entra por pequenas aberturas nas abóbadas) para enxergarmos por onde andar. Havia uma mulher sentada bem debaixo duma daquelas pequenas aberturas, escrevendo. O quê, não sabemos. Às vezes, parece que rezava.





Voltando ao átrio, plenamente iluminado pelo Sol, completamos o percurso pela área da mesquita.
Não dá para descrever totalmente a experiência vivida nesse lugar. Mas fica guardada, na memória, o contraste do escuro dos espaços delimitados pelos tijolos nus dos pilares, arcos e abóbadas com o da luminosidade solar dos espaços abertos. Vez ou outra, entra mais ou menos luz nos primeiros.

(FC)

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