Chegando
em Isfahan depois da aventura do trem noturno, pegamos um taxi até
nosso hotel (Bekhradi's Historical Residence). Do taxi, o motorista
apontou-nos o rio Zayandeh (Zayande ruu) duas vezes completando com
“no water”. Fiquei intrigado com o fato do rio estar seco mas
pensei nos rios que secam temporariamente e imaginei que o Zayandeh
ruu fosse um destes. Dormimos bem e recuperamos nossa disposição.
Procurei informações (internet) sobre a seca do rio e descobri que
trata-se de uma catástrofe ecológica.
O rio
Zayandeh tem cerca de 400km de extensão e é (era) o maior rio da
parte central do Irã. As causas de sua seca parecem ser o uso
inadequado e desmedido na agricultura e a poluição, além de má
administração de suas águas. Lembrei-me de imediato de matéria
publicada em jornal há cerca de um mês sobre a seca da nascente do
nosso rio São Francisco, O Velho Chico...
Na
Odisseia, no Canto 6, há um verso maravilhoso, mais ou menos assim:
“Com
lágrimas nos olhos, ele contempla o mar inaudito”. A maravilha
deste verso está em unir dois elementos líquidos, lágrimas e água
do mar.
Aqui,
vendo a seca do rio Zayandeh (O Provedor da Vida”), meus olhos
ligam-se à memória do São Francisco também seco. Sem lágrimas,
sem água nos dois rios.
A
devastação do planeta está em curso em escala mundial.


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