quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Zayande ruu - morte de um belo rio


Chegando em Isfahan depois da aventura do trem noturno, pegamos um taxi até nosso hotel (Bekhradi's Historical Residence). Do taxi, o motorista apontou-nos o rio Zayandeh (Zayande ruu) duas vezes completando com “no water”. Fiquei intrigado com o fato do rio estar seco mas pensei nos rios que secam temporariamente e imaginei que o Zayandeh ruu fosse um destes. Dormimos bem e recuperamos nossa disposição. Procurei informações (internet) sobre a seca do rio e descobri que trata-se de uma catástrofe ecológica.




O rio Zayandeh tem cerca de 400km de extensão e é (era) o maior rio da parte central do Irã. As causas de sua seca parecem ser o uso inadequado e desmedido na agricultura e a poluição, além de má administração de suas águas. Lembrei-me de imediato de matéria publicada em jornal há cerca de um mês sobre a seca da nascente do nosso rio São Francisco, O Velho Chico...

Na Odisseia, no Canto 6, há um verso maravilhoso, mais ou menos assim:
“Com lágrimas nos olhos, ele contempla o mar inaudito”. A maravilha deste verso está em unir dois elementos líquidos, lágrimas e água do mar.

Aqui, vendo a seca do rio Zayandeh (O Provedor da Vida”), meus olhos ligam-se à memória do São Francisco também seco. Sem lágrimas, sem água nos dois rios.

A devastação do planeta está em curso em escala mundial.

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