Antes de
falar do trânsito de Teerã, acho importante revermos o conceito da
palavra “preferencial”.
Vou tomar
um exemplo para ilustrar esta importância. Você vem num taxi velho,
numa ruazinha pequena, numa velocidade acima do recomendável. Aí
você vê adiante uma avenida larga, com 4 faixas, carros em alta
velocidade. No Brasil a gente costuma parar pouco antes da faixa de
pedestre (quando tem uma) e avançar com cuidado, posicionando a
frente do veículo na linha imaginária que ligaria as 2 calçadas à
frente, para olhar com cuidado e só depois entrar ou atravessar a
avenida.
Em Teerã
não funciona assim. O taxi enfia metade do carro na avenida e o seu
coração vai ainda um pouco além, porque você tem certeza de que
um caminhão ou ônibus vai pegar você no meio. Aí há algum tipo
de sinalização telepática entre os diversos motoristas, que
decidem ali mesmo, no meio da confusão, quem avança e quem espera.
Não há lógica, mas funciona para eles.
Outra
curiosidade é atravessar a rua ou avenida. Você até encontra
faixas de pedestres, mas elas de pouco adiantam e são pouco usadas.
O comum aqui são as pessoas irem atravessando no meio da avenida,
passando no meio dos carros, que também obedecem a algum código
secreto e invisível de comunicação porque não vimos ninguém ser
atropelado, apesar das inúmeras razões.
Fernandinho
mencionou uma ótima metáfora para descrever esta experiência de
atravessar uma avenida em Teerã. É como se fosse num boliche, sendo
que você é o pino e os carros são as bolas. Ou seja, se tudo der
certo, você será atropelado.
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