segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Trânsito em Teerã


Antes de falar do trânsito de Teerã, acho importante revermos o conceito da palavra “preferencial”.

Vou tomar um exemplo para ilustrar esta importância. Você vem num taxi velho, numa ruazinha pequena, numa velocidade acima do recomendável. Aí você vê adiante uma avenida larga, com 4 faixas, carros em alta velocidade. No Brasil a gente costuma parar pouco antes da faixa de pedestre (quando tem uma) e avançar com cuidado, posicionando a frente do veículo na linha imaginária que ligaria as 2 calçadas à frente, para olhar com cuidado e só depois entrar ou atravessar a avenida.

Em Teerã não funciona assim. O taxi enfia metade do carro na avenida e o seu coração vai ainda um pouco além, porque você tem certeza de que um caminhão ou ônibus vai pegar você no meio. Aí há algum tipo de sinalização telepática entre os diversos motoristas, que decidem ali mesmo, no meio da confusão, quem avança e quem espera. Não há lógica, mas funciona para eles.

Outra curiosidade é atravessar a rua ou avenida. Você até encontra faixas de pedestres, mas elas de pouco adiantam e são pouco usadas. O comum aqui são as pessoas irem atravessando no meio da avenida, passando no meio dos carros, que também obedecem a algum código secreto e invisível de comunicação porque não vimos ninguém ser atropelado, apesar das inúmeras razões.

Fernandinho mencionou uma ótima metáfora para descrever esta experiência de atravessar uma avenida em Teerã. É como se fosse num boliche, sendo que você é o pino e os carros são as bolas. Ou seja, se tudo der certo, você será atropelado.

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