domingo, 12 de outubro de 2014

Restaurantes Brentin e Haft Khan – Shiraz


Graças aos conselhos de uma das recepcionistas do nosso hotel em Shiraz (Hotel Homa), abandonamos a ideia de seguir as sugestões dos guias de turismo, Lonely Planet principalmente, e nos sugeriu 3 opções de restaurantes que apresentam a culinária persa de uma forma que une tradição com contemporaneidade.

No sábado fomos almoçar no Brentin Restaurant, que fica num bairro elegante de Shiraz e que tem um ambiente com 2 andares, bem elegante para os padrões dos restaurantes que estávamos acostumados no Irã. O curioso e inesperado, para os padrões do restaurante, é que ninguém, absolutamente nenhum dos garçons falava inglês, nem sequer uma palavra. Acho que nem “Hallo” o pessoal conseguia falar. Contudo, o dono do restaurante, sujeito descolado, veio nos atender e ele falava um excelente inglês. Pelo visto fomos os primeiros turistas a ir ao restaurante e já provocamos uma reflexão sobre uma revisão no planejamento estratégico da casa.

O meu prato foi uma repetição daquele que comi no bairro armeno, em Esfahan, só que apresentado de uma forma diferente. Achei mais saboroso do que o comi em Esfahan. Fernandinho pediu um arroz com camarão, levemente apimentado. A comida estava legal, mas o melhor do restaurante ficou com as entradas e com a sobremesa. Na entrada eles trazem à mesa uma enorme bandeja com diversas pequenas porções e você escolhe as que quiser. Eu escolhi uma de berinjela, mas o dono insistiu e acabou nos oferecendo uma com rolinhos de abobrinha e um creme de yogurte. Rapaz, eita negócio bom danado! Realmente, o dono sempre tem razão.

Ah, o drink foi: Lemon mint (suco de limão com hortelã, com bastante gelo)

Agora, o melhor de tudo foi na sobremesa, também um presente do dono do restaurante. A princípio era um pratinho de barro com uma coisa dentro, parecida com um biscoito, mas com camadas diferentes. Cara, eita negócio interessante. Eu não disse “gostoso” porque o diferente é o que vem à mente primeiro, mas adorei a sobremesa. Comecei comendo como um completo ignorante, até porque o dono já tinha ido embora e a gente não conseguia sequer entender o nome da peste da sobremesa, avaliem conseguir saber os ingredientes. Quando você bota na boca, a primeira sensação é de estar comendo pó, mas um pó gostoso (tem a ver com tâmara). Vamos lá gente, sei que a maioria nunca comeu pó, incluindo eu mesmo, mas todo mundo tem uma opinião formada sobre gosto de pó. É como disco voador pousando. Nunca ninguém viu mas muitos tem a cena em mente, incluindo o barulhinho do motor do disco pousando. Aquilo vai depois sendo saborosamente substituído pelas outras 2 camadas, sendo que na de baixo é feita com nozes. Incrível!! Depois descobrimos que se chama Ranginak e é uma sobremesa adorada pelos iranianos, e agora por Saulo também. Uma moça do hotel ficou de pedir a receita à mãe e Da Dilma se prepare que agora vou querer Ranginak às quartas e sextas, toda semana.

Uma experiência curiosa e enriquecedora foi pegar um taxi de volta ao hotel, depois do almoço. Pegamos o taxi de um velhinho bem simpático, mas pense num taxi velho. Parecia aquele antigo Corcel I (quem lembra do Corcel I), só que todo arrombado. Juro que ficamos impressionados daquilo andar e mais ainda quando ultrapassamos 2 carros. O aspecto enriquecedor da experiência é que o carro do velhinho tinha, no mínimo, 30% de peças faltando, e ANDAVA!!! Ou seja, somos mesmo uma sociedade do supérfulo.

Ontem, domingo, fomos a um complexo todo modernoso de restaurantes, chamado Haft Khan, também sugerido pela moça da recepção do hotel. São 5 andares, numa torre moderna, toda chique, sendo que cada andar abriga um restaurante diferente (tradicional, fast food, internacional, buffet, grelhados). Nós fomos ao andar 2, de restaurante de comida internacional. Quando se fala aqui em comida internacional, eles não economizam. Tinha de quase tudo, pizza, massa, carnes, aves, kebab, e por aí vai. Eu não explorei completamente o menu, mas acho que vi de relance que eles tinham acarajé. Eu pedi um kebab, porque dizia “chef's special kebab”. Não me arrependi e comi o melhor kebab desta viagem (já experimentei uns 4 diferentes). Ele misturava 3 tipos de carne (carneiro, boi e galinha), mas de uma forma quase imperceptível e com um molho muito gostoso.

Quem vier a Shiraz, pode ir nos dois restaurantes que terá ótimas experiências.


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