sábado, 4 de outubro de 2014

Segundo dia - Zurkhaneh

Com a ajuda de um cara que trabalha no nosso hotel, conseguimos a indicação de um lugar onde pudemos assistir a uma apresentação de Zurkhaneh, uma mistura de esporte, técnica de treinamento, ritual, que é bastante tradicional no Irã.

Muito legal também porque os rituais são acompanhados por um músico, que toca e canta, dando ritmo às demonstrações dos atletas. Nesta noite, por sorte, eles estavam recebendo uma pessoa que parecia ter alta reputação, pela forma como todos o reverenciavam, e esta pessoa cantou 2 músicas a capela, em momentos distintos da apresentação. Inesquecível!!!

Numa das fotos abaixo (tiradas da Internet) vocês podem ver uma espécie de malabares que eles movimentam com agilidade e força, mas nem fazem idéia do quanto eles pesam. Eu, sinceramente, já me acharia um super homem se conseguisse rolar lateralmente um destes objetos, sem tira-lo do chão, enquanto os caras fazem uma série de movimentos.





Fomos bem recebidos, incluindo um chazinho e um rápido papo na despedida, onde eles deixaram claro que "english no good", que no caso se referiam ao fato de que não gostam de americanos e estavam felizes que éramos brasileiros "brazil good".

Eu já tinha tinha tido conhecimento do Zurkhaneh numa exposição sobre a Pérsia, no British Museum, e foi muito legal ter conseguido assistir pessoalmente a uma apresentação.

Mais informações sobre o Zurkhaneh em:
http://en.wikipedia.org/wiki/Pahlevani_and_zoorkhaneh_rituals#The_zurkhaneh

(SB)

Chegada no Irã - primeiras impressões e curiosidades


Simpatia é a palavra que melhor define a primeira sensação que se tem ao chegar no Irã. É incrível como as pessoas daqui são simpáticas, começando pelo policial da imigração. Infelizmente tive que ouvir que ele adora Neymar. Quando penso na França vem logo à mente Victor Hugo, Proust, quando penso na Inglaterra penso em Isaac Newton, Shakespeare, e quando o iraniano pensa no Brasil vem à mente a peste do Neymar. É foda!!!

O aeroporto fica bem longe do centro, aliás longe pra cacete, mas a viagem de taxi é barata. Conhecemos 3 alemães no aeroporto e rachamos um taxi grande, que custou 900.000 rials, o que dá uns 80 reais. Motorista muito atencioso, trocamos algum diálogo, ele em persa e eu em português, e nos despedimos com a sensação de que somos amigos.

Aliás, pegar táxi é uma aventura no Irã porque eles não têm taxímetro, de forma que as corridas são negociadas na hora, sendo que não pegamos nenhum taxista que sequer arranhe no inglês. A técnica de negociação é escrever os números num papel ou ficar adicionando ou retirando as notas de dinheiro, até chegar na quantia acordada pelas partes.

Falando em quantia, outra confusão. A moeda oficial daqui é o Rial, mas eles também usam o Toman, que vale 10 vezes mais que um Rial, sendo que as notas vêm em Rial. Ou seja, quando alguém fala que tal coisa custa 10.000 você precisa saber se é Rial ou Toman, porque neste caso vai custar uma nota de 100.000 Rials. Parece bobagem, mas dá uma confusão danada para marinheiros de primeira viagem.

Chegamos no hotel bem cedo e por intuição, sorte ou proteção divina o hotel (Sepehr, da rede Melal) era muito legal, num bairro muito legal. Nosso quarto é imenso e já me fez pensar se realmente preciso de uma casa do tamanho da que estou construindo. Seguem fotos da entrada no hotel e do quarto.






Depois de descansar da longa viagem, fomos andar pelo bairro e descobrir o quão bonitas e charmosas são as mulheres daqui. Todas usam um véu cobrindo a parte de trás dos cabelos e raras cobrem toda a cabeça (usam Chador). Bem maquiadas, fumando, indo aos cafés e restaurantes com amigas, rindo, trocando olhares, num nível muito mais interessante e elegante do que encontramos em 98% do território brasileiro e 99,99% do território sergipano.

Aliás, um fato interessante foi observar todas as mulheres no avião colocando o véu, assim que o vôo aterrissou em Teerã. Curioso porque estas mesmas mulheres estavam sem usar o véu no aeroporto de Istambul.

Uma curiosidade sobre o bairro são as calçadas, muitas delas com uma largura minúscula, que mal passa uma pessoa de lado. Isso quando tem calçada! 



Por outro lado, prédios suntuosos e um charme que não consigo definir. Só sei que gostamos muito e que nos causou uma sensação de bem estar.

Terminamos o dia num restaurante de comida internacional, sem nada a acrescentar. Estávamos cansados e sem condições de explorar possibilidades mais interessantes de culinária iraniana. Contudo, valeu pela nossa primeira experiência de tomar suco de Romã. Maravilhoso!

(SB)

Segundo dia - loja de CDs

A foto abaixo já diz muito do que foi a experiência inesquecível nesta loja de música em Teerã, que fica bem perto do nosso hotel.

O nome da loja é Feresteh Bookcity
No. 32, Darbandi st. Tajrish Square
Shemiranat, Tehran, Iran



O rapaz tocando Setar se chama Farzad Mahmoodi e é o vendedor da loja. Ele nos ofereceu chá e conhecia simplesmente tudo de música tradicional iraniana. Passamos umas 2 horas na loja, compramos uns 20 Cds, trocamos contatos, e o dia começou da melhor forma possível.


O Mahmoodi não falava inglês, mas tivemos a ajuda da Golshan Zahedi, super simpática, aluna de biologia, com interesse em plantas, que tem sonho de ir fazer uma pós-graduação em Berlim, em 2016.



(SB)